Avanço da indústria na eliminação dos HCFCs

Há muito tempo existe a preocupação com a eliminação das substancias capazes de afetar a camada de ozônio. Em 16 de setembro de 1987, foi criado o protocolo de Montreal um tratado internacional em que os países signatários comprometem-se a substituir as substâncias que demonstrarem estar reagindo com o ozônio.

Hoje, com o avanço significativo da tecnologia intensificam-se as ações para alcançar o objetivo desse tratado, fazendo com que em praticamente todos os setores, os desenvolvimentos de produtos levem em consideração o lado ambiental.

O setor de HVAC-R é diretamente afetado, já que os fluidos refrigerantes utilizados em seus sistemas causam impactos diretos à camada de ozônio, e está completamente de acordo em achar soluções substitutivas aos HCFCs.

As ações já foram traçadas e um cronograma definido para que seja possível amenizar os prejuízos. A primeira etapa vencida foi a eliminação dos CFCs (Cloro Fluor Carbono) como fluido refrigerante que eram altamente prejudiciais ao meio ambiente, e em seu lugar passou-se a utilizar os HCFCs (Hidro Cloro Fluor Carbono) que por terem hidrogênio em sua composição agridem 50% menos a camada de ozônio.

Existe um índice capaz de mensurar o impacto ambiental de cada gás refrigerante, esse índice é chamado de GWP Global Warming Potential ou Potencial de Aquecimento Global. Abaixo é possível observar a diferença dos mais utilizados:

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Tabela 1: Características dos fluidos refrigerantes

Porém os HCFCs possuem características que contribuem diretamente com o aquecimento global.  Percebendo isso, os signatários do protocolo de Montreal traçaram em 2007 uma meta de extinção desse fluido até o ano de 2040.

A primeira fase do cronograma definiu que cada país teria um limite de utilização da substância até 2013, limite esse estipulado através das análises de consumo dos anos anteriores e aprovados pelos líderes de cada país. Após esta data, os participantes do acordo terão que voltar à média de uso dos HCFCs registrada entre 2009 e 2010. Na segunda etapa do programa, a meta é reduzir em 10% a utilização da substância até 2015. Já em 2020 e 2025, a diminuição terá que ser de 35% e 67,5%, respectivamente. Finalmente, em 2030, os consumidores terão que abrir mão de 97,5% do consumo de HCFC, até chegar em 2040 com a completa extinção do HCFC.

Algumas opções já foram propostas para contribuir com essa eliminação. O surgimento dos sistemas de refrigeração com fluido secundário (glicol) foi implantado com sucesso em diversos segmentos. Apesar de um pouco mais custosa a implementação do fluido secundário, sua utilização tem retorno garantido.

A água possui características cruciais para ser um bom fluido refrigerante devido a sua boa condutividade térmica, alto calor específico e por não ter impactos ambientais. Seu único problema é a sua temperatura de fusão, mas para isso utilizam-se alguns aditivos, muitas vezes propileno glicol, que conseguem baixar a temperatura de congelamento da água, fazendo com que o sistema de refrigeração utilize essa solução como fluido refrigerante.

Os sistemas com fluido secundário são muito mais compactos e com temperatura de resfriamento mais estável, além de eliminar cerca de 80% do uso de refrigerante, que se limita apenas a casa de máquina para resfriamento da solução.

A instalação desse sistema é um pouco diferente do sistema convencional já que existe a necessidade de um bombeamento desse fluido secundário. Na figura abaixo se pode notar a diferença:

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Figura 1: Sistema de fluido secundário x refrigeração direta

Principalmente no segmento de supermercados, tem sido uma solução muito aceita tanto pela eficiência térmica, como pela preservação ambiental e preço da solução do fluido secundário.

Outra escolha que está crescendo cada vez mais é a dos sistemas com utilização de CO2, um gás natural com boa eficiência térmica que não agride o meio ambiente. A única dificuldade em sua utilização é o controle de pressão do sistema que é muito maior do que o habitualmente utilizado com os HCFCs. Mas, aplicando da maneira correta, é possível aumentar a vida útil do sistema de compressão além de gerar uma economia de energia de cerca de 20% comparado aos refrigerantes HCFCs.

Uma solução de mais fácil adesão é a utilização do R134A como fluido refrigerante. Ele é considerado um HFC (Hidro Fluor Carbono) e por não ter cloro em sua formação ele é um refrigerante não prejudicial ao meio-ambiente, utiliza-lo diminui então a degradação da camada de ozônio. Atualmente ele é o refrigerante ideal, recomendado oficialmente como substituto do R22.

As propostas de substituição estão surgindo, e possuem vantagens importantes para que haja adesão dos consumidores, o que leva a crer que o cronograma do protocolo de Montreal está sendo respeitado e que o setor de HVAC-R está se preocupando em adaptar-se a essa realidade. Ainda não foi encontrada a solução perfeita para que essa eliminação ocorra de maneira mais rápida, mas com a atenção direcionada ao tema e o aumento significativo de tecnologia, com certeza surgirão novas alternativas em breve.

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