Seleção por DT ou DTML

Existe uma dúvida muito grande quando se trata de DT (Diferencial de Temperatura) e
DTML (Diferencial Térmico Médio Logarítmico).

DT é a diferença real entre a temperatura de evaporação e a temperatura interna da câmara.

DT

 

DTML é o cálculo teórico da média entre a variação de temperatura de entrada e saída do ar do evaporador, relacionada com a temperatura de evaporação.

 

Numa situação real, ou seja, num sistema de refrigeração, é possível controlar a temperatura de evaporação e a temperatura interna da câmara com facilidade. Sendo assim, temos o perfeito domínio sobre o DT do nosso sistema, garantindo a capacidade selecionada com a utilização do mesmo.

Já no caso do DTML não temos como controlar essa média entre as variações de temperatura. Suas variáveis não dependem de itens mensuráveis do sistema de refrigeração, tornando impossível garantir que a capacidade selecionada com DTML seja a mesma efetiva dentro da câmara.

A utilização da capacidade DTML em catálogos são usuais devido somente pela aplicação desse conceito por parte do mercado.

Seguindo os objetivos da empresa, instruímos os nossos clientes sobre a importância da utilização dos dados DT.

 

A figura abaixo mostra a diferença entre os dois conceitos:

dt2

A escolha errada na seleção do evaporador pode trazer sérias consequências ao funcionamento da câmara. As diferenças de desempenho podem ultrapassar 40% em relação à capacidade.

Para compreendermos o impacto na seleção do produto, vamos calcular DT e DTML em uma mesma condição:

 

• Temperatura Interna da Câmara = -4°C

• Temperatura de Evaporação = -14°C

• Temperatura de Saída do Ar = -11°C

 

Utilizando DT como nossa referencia de seleção, devemos calcular qual o DT necessário no sistema:

 

• DT = Temperatura de Evaporação – Temperatura Interna da Câmara

• DT= 10°C

 

Utilizando as mesmas condições de câmara, mas agora tendo como base DTML o cálculo seria

o seguinte:

 

dt3

 

 

DT = 10ºC (Conforme cálculo de DT)

DT2 = Temperatura de Saída do Ar – Temperatura de Evaporação

DT2 = 3º C

DTML = 5,8°C

 

Ou seja, utilizando um DTML igual a 5,8°C teríamos que selecionar um equipamento com DT igual a 10°C para alcançar a mesma capacidade (nas condições acima especificadas).

Existem diversas consequências ligadas à seleção por DTML do evaporador:

1. Um dos maiores impactos está na umidade relativa da câmara. Ocorrerá desidratação nos produtos estocados, principalmente em produtos com alta concentração de água como carnes, frutas, flores, etc., ou seja, o produto perde em massa final.

 

Exemplo: Coloca-se 1000 kg de frango em uma câmara de resfriados a 0°C e na retirada (após quatro dias) tem-se 900 kg. Uma perda significativa de 10% em massa e em valor (R$) da mercadoria devido a vazão e umidade relativa do sistema. O que seria amenizado com a seleção em DT.

2. A capacidade selecionada será menor do que a requerida, fazendo com que a câmara não alcance o funcionamento esperado, resultando em alguns casos na perda da mercadoria estocada.

3. Basicamente com o falso aumento de capacidade passa-se a utilizar um evaporador de menor tamanho e consequentemente menor vazão. Como se trata de cerca de 40% de diferença, muitas vezes a vazão do equipamento selecionado não atinge o número mínimo de trocas de ar por hora requerido pelo sistema.

4. Todos os componentes envolvidos em um ciclo de refrigeração estão parametrizados com base nas mesmas condições e capacidades. O desbalanceamento de um deles impacta diretamente no funcionamento dos demais. Justamente o selecionamento por capacidades em DTML pode vir a quebrar toda essa equalização do sistema.

 

 

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